O Centro de Saúde (CS) de Vieira do Minho está inserido no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Cávado ll – Gerês Cabreira, juntamente com os de Amares, Póvoa do Lanhoso, Terras do Bouro e Vila Verde.
As suas unidades orgânicas e funcionais são a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) com duas extensões, em Rossas e em Ruivães respetivamente, que integram um quadro de 18 profissionais de saúde (8 médicos e 10 enfermeiros) e 5 secretários clínicos e a Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), que assistem cerca de 12 500 utentes.
A solução orgânica existente, muito semelhante (no modelo) à de Terras de Bouro, contrasta com a dos restantes Centros de Saúde, nomeadamente o de Amares e o de Vilaverde, constituídos à base de Unidades de Saúde Familiares (USF).
Estas, sendo dotadas de autonomia técnica, funcional e organizacional e usufruindo de incentivos e de um sistema de remuneração parcialmente indexado a indicadores de desempenho (qualitativos e quantitativos), têm conseguido, segundo a OCDE, proporcionar cuidados de saúde primários de alta qualidade.
Percebe-se neste comparativo, que, também pelo modelo organizativo adotado, o Centro de Saúde de Vieira do Minho tem sido um dos “parentes pobres” deste Agrupamento.
Paralelamente, o atual edifício do Centro de Saúde construído, há anos, para alojar os serviços administrativos, enfermagem e consultas externas deslocalizadas do “Hospital da Misericórdia”, acabaria por, numa fase posterior, ter que acomodar todas as restantes valências, a fim de libertar o edifício do referido hospital, dedicado atualmente aos cuidados continuados.
Esta operação obrigaria a obras relevantes de adaptação, tendo sido criada, inclusive, a acessibilidade das traseiras e reconvertidos os “espaços” do r/chão para acomodar o SAP.
Entretanto, estudos feitos concluíram não haver “racional”, nem económico nem funcional, que fundamentasse uma nova requalificação, pelo que a necessidade premente de um “Centro de Saúde Novo” tornou-se uma evidência.
É com este enquadramento que finalmente surge o financiamento comunitário (85% do montante a fundo perdido), para a construção de um novo edifício, tendo a empreitada o valor elegível de €1.165.000,00 (€ 990.230,00 a receber do FEDER) mapeado e assegurado pelo Governo Central (Programa Norte 2020), com “dead line” para abril do ano em curso.
Oportunidades como esta não surgem todos os dias, em Terras como a Nossa.
Por isso todas as entidades, direta ou indiretamente, envolvidas neste desígnio (em especial a Presidência da Câmara), devem empenhar-se em derrubar “barreiras”, agregar vontades e agilizar processos para que o Novo Centro de Saúde seja uma realidade.
Os Vieirenses precisam e merecem!…
Aliás seria incompreensível e certamente sancionado, no momento próprio, se, a pretexto de “bagatelas” ou “subterfúgios”, tal não acontecesse, ou fosse mais uma vez adiado.
Em termos absolutos, o esforço financeiro é elevado, porém, na verdade, corresponde apenas a 93 euros por cada Vieirense e a um pouco mais de metade, do que está a ser gasto na requalificação da Escola Vieira de Araújo.
Nada de mais, se considerarmos a saúde um BEM MAIOR, face ao viés de perceção que, com fundamento ou sem ele, alegadamente existe sobre a qualidade dos serviços prestados, eventualmente induzido pela falta de condições das instalações!…
Porém, dado que investimentos destes “só se fazem uma vez”, importa que:
– Todo o processo decorra, a partir de agora, com a maior transparência e a participação cívica e envolvimento dos Vieirenses,
– A localização escolhida permita um bom enquadramento paisagístico, espaço de expansão, boas acessibilidades e exposição solar, etc… e que a pesquisa não se limite à vila ou à freguesia de Vieira,
– A solução de arquitetura que vier a ser escolhida responda plenamente em termos funcionais, ergonómicos, estéticos, urbanísticos, de eficiência energética, de conforto, etc …
– Se prevejam, desde já, soluções complementares (v.g. Unidades Móveis) que permitam abordagens expeditas de proximidade, tanto mais que existe uma elevada percentagem de idosos com dificuldades de mobilidade, situação agravada pela distância e pela profunda assimetria das freguesias de “por trás da Serra”.
E que uma vez concluído e equipado o novo CS (o que em si mesmo gerará uma “chama de motivação” acrescida), os profissionais de saúde aproveitem a oportunidade para:
– Se organizarem em Unidades de Saúde Familiares (USF), em substituição da atual UCSP, refrescando as equipas (eventualmente haverá vagas por aposentação), já que as novas instalações poderão constituir um fator de atração para novos profissionais,
– Otimizarem a prestação dos cuidados de saúde primários e de assistência preventiva no acompanhamento das famílias e dos utentes de forma a serem reconhecidos pela sua competência, disponibilidade, dedicação e empatia e desse modo “reforçarem laços” com os Vieirenses,
MAIS E MELHOR SAÚDE é a razão pela qual, numa PERSPETIVA OPERACIONAL, se justifica um Centro de Saúde Novo!
Além disso, a disponibilidade deste equipamento é também muito importante para Vieira do Minho, numa PERSPETIVA ESTRATÉGICA.
Infelizmente, tal como acontece em muitas terras do interior, regista-se em Vieira do Minho a pressão do “esvaziamento demográfico”, por migração, envelhecimento e baixa natalidade.
Porém, em relação a muitas outras, a nossa Terra usufrui de fatores de diferenciação privilegiados.
Todos lhe reconhecemos excelentes condições naturais pela sua beleza e diversidade, para se transformar num destino de eleição em turismo da natureza e fica apenas a 33 kms de um grande centro de polarização de consumo (Braga).
Só nos falta uma via rápida!…
Existe hoje também um movimento de regresso às origens e ou de procura crescente de ambientes mais próximos da natureza, que Vieira do Minho pode oferecer “a custo zero”.
Portanto, se a nossa população está a decrescer, isso não se deve à falta de potencial das condições naturais e localização da nossa Terra.
Lamentavelmente, deve-se ao facto de, em devido tempo, não terem sido criadas as condições necessárias para fixar as pessoas que cá nasceram, ou mesmo atrair novos habitantes, vindos de fora.
É aqui que entra a IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA de um Centro de Saúde com qualidade reconhecida.
De facto, sob este ponto de vista, dispor de uma boa Unidade de Cuidados de Saúde Primários, é um bom ponto de partida, que contribuirá para ajudar a contrariar as tendências demográficas deslizantes!…
Assim é tão importante como urgente transformar este círculo vicioso num círculo virtuoso.
Por isso não devemos baixar os braços, gerindo apenas o seu declínio, deixando que ele acabe por se tornar irreversível…
O importante é fazer acontecer!
É também por isso que os investimentos estruturais e estrategicamente importantes, como um Centro de Saúde Novo, sobretudo em “contra-corrente”, são ainda mais necessários!
O foco é, delinear soluções consistentes, começando por dinamizar investimentos nas áreas estruturais e estratégicas (acessibilidades, emprego, saúde, saneamento básico, fibra ótica, turismo, etc.) de modo a contrariar a evasão e ao invés criar massa crítica que torne Vieira um lugar apelativo para se viver e para visitar, isto antes que tais objetivos se tornem uma miragem!
Diniz Frias 12.02.2021