Estão quase em “casa”, ou pelo menos, na sua “nova casa”, os cerca de 60 refugiados ucranianos que embarcaram no autocarro humanitário da CIM do Ave. Estão, neste momento, a atravessar França e devem chegar esta terça-feira ao seu destino final: Portugal (Guimarães e Famalicão).
https://youtu.be/f3RHv2a-S7U
Quatro dias dias depois, o autocarro humanitário que saiu de Vieira do Minho na passada sexta-feira em direção à Polónia, está de regresso, agora cheio de cidadãos que procuram um pouco de paz.
No domingo à tarde, os refugiados ucranianos que tinham sido já sinalizados pela CIM do Ave, foram recolhidos. Segundo nos revela Hugo Quaresma, assessor do Município de Vieira do Minho e que está a acompanhar estes refugiados, foi-lhes dado, numa primeira fase, uma garrafa de água, bolachas, leite com chocolate aos mais pequenos e também comida para os três bebés e aos animais que vêm também no autocarro. “Ninguém fica para trás“, defendeu o vieirense.

São muitas as histórias que estão, neste momento, neste autocarro. “São imensas situações de trauma de guerra“, explica Hugo Quaresma. Desde “um miúdo de 20 anos cujos pais desapareceram durante a guerra, e que vai agora para Portugal até os encontrarem; ou uma senhora que trabalhava nos caminhos de ferro e veio com a filha enquanto o marido foi para a guerra“.
Há ainda o caso de uma outra “senhora que vive em Portugal há vários anos, mas que teve que ir buscar o neto à Ucrânia porque a filha é polícia, tem que ficar a defender o país; e o genro é homem, pelo que, pela lei marcial, não pode também abandonar a Ucrânia“. No entanto, quando Hugo lhe pergunta se quer voltar ao seu país natal, não há qualquer hesitação na resposta: sim, espera voltar quando “tudo isto passar“.
“Uma pequena história de todas as que estão no autocarro“, descreve Hugo e é aqui que a emoção toma conta deste vieirense. Depois de quatro dias na estrada, com muito poucas horas de sono, muito cansaço acumulado, é impossível ficar indiferente a estas histórias, a “emoção toma conta de nós“. É “uma tragédia que está a acontecer“, afirma Hugo, acrescentando que “nós não conseguimos mudar o mundo. Mas toda a comunidade de Vieira do Minho e da CIM do Ave mudaram a vida destas pessoas“.
Quatro toneladas de bens doados deixadas numa armazém na fronteira com a Ucrânia
Hugo Quaresma explica-nos que, no domingo, chegados à Polónia, deixaram as cerca de quatro toneladas de bens doados pelos vieirenses “a 10km da fronteira da Ucrânia“. Nesse pequeno “armazém escondido numa pequena vila como Vieira do Minho” estavam três escuteiros voluntários ucranianos que iam fazendo a triagem, “um pouco amadora” dos bens que vão chegando.
No entanto, apesar de toda a onda de solidariedade que existe em Portugal e na Europa, estes voluntários explicaram a Hugo que, “para estes bens chegarem a Ucrânia, os ucranianos têm que pagar o transporte“. Porquê? A resposta chega também por parte destes voluntários. “A logística do exército ucraniano está virada para as grandes cidades“. Ou seja, as pequenas vilas e cidades ucranianas têm que arranjar formas de se defenderem. E têm-no feito através de milícias populares com armamento muitas vezes próprio. Mas depois, explica o Hugo, o transporte para “dentro e fora da fronteira” teria que ser pago. É um pouco do “oportunismo” que, inevitavelmente e infelizmente, acaba sempre por surgir em situações difíceis como esta, descreve o vieirense.
Hugo Quaresma revela ainda que ainda antes de chegarem ao armazém, conseguiu ver alguns camiões de empresas privadas a carregarem tanques de guerra. Estavam tapados, mas o vieirense acredita que seja material vindo da Europa.
[…] como nos explicou Hugo Quaresma, assessor do Município de Vieira do Minho e que acompanhou estes refugiados, vêm principalmente […]