Barcelos investe 1,5 milhões de euros na segurança dos sistemas informáticos depois de ataque

A Câmara Municipal de Barcelos vai investir cerca de 1,5 milhões de euros na modernização e na segurança dos sistemas informáticos. O anúncio foi feito ontem, em conferência de imprensa, pelo presidente da Câmara que deu conta que estava terminado o trabalho de investigação interna, relativamente ao ataque informático de que foi alvo o município, na noite de 2 de outubro do ano passado.

Esse investimento comporta, entre outros, a implementação um “Plano de Cibersegurança”, a substituição da plataforma de gestão documental, a compra de soluções biométricas tanto para os serviços on-line como para os equipamentos dos trabalhadores, a instalação de dois novos Datacenter – um de produção que aloje todas as soluções do Município, e um segundo Datacenter de backup para que, em caso de algum incidente, a atividade da Câmara possa prosseguir com os seus serviços “com a menor entropia possível“, explica o edil em comunicado.

Além destes investimentos mais significativos, o Plano incluiu outros como melhorar a ligação dos equipamentos municipais por fibra ótica, adquirir, disponibilizar acesso à informação e serviços do município através de APPs, aplicações para dispositivos móveis, e adquirir equipamento para o centro de digitalização no município de Barcelos.

Estas medidas surgem depois do ataque informático que a Câmara de Barcelos sofreu na noite de 2 de outubro de 2022. Numa primeira fase, praticamente todos os serviços municipais ficaram afetados pelo ataque informático, mas, entretanto, já foram recuperados e estão “em pleno funcionamento“, afirmou o autarca, faltando apenas a reposição integral da plataforma do e-Urbanismo, “que foi a que registou mais anomalias, e que só gradualmente poderá voltar à normalidade“.

Segundo Carlos Eduardo Reis, vereador do Urbanismo, embora o ataque tenha atingido cerca de 3,5 milhões de ficheiros, na prática, e com efeitos perniciosos, o incidente afetou 3.926 processos, muitos deles já quase finalizados.

Mário Constantino, acompanhado pelo vice-presidente da Câmara, Domingos Pereira, pelo vereador do Urbanismo, Carlos Eduardo Reis, e pelo coordenador da investigação interna e da reposição dos sistemas, Ricardo Oliveira, afirmou que o relatório final do incidente já foi remetido às autoridades policiais que investigam este crime, e que, “segundo as informações dos especialistas que coadjuvaram os serviços municipais na análise e investigação do incidente, se tratou de um ataque deliberado e malicioso tendo como objetivo causar danos e perturbações”. O incidente afetou a prestação de vários dos serviços que se suportam em plataformas informáticas, tendo-se materializado de duas formas: a habitual encriptação dos computadores de postos de trabalho, sistemas e dados, e a complementar destruição em massa de alguns suportes de dados.

Fazendo a cronologia do incidente, o autarca assegurou que logo que foi detetado o primeiro sinal de um problema nos sistemas informáticos, o município agiu de forma imediata para identificar e conter os efeitos e repor a normalidade operativa.

Mário Constantino acrescentou também que, segundo os intervenientes envolvidos na investigação do ataque, “a antiguidade de vários dos sistemas existentes (com as correspondentes fragilidades) pode ter contribuído para a extensão dos danos causados”.

Notícias relacionadas