O Bloco de Esquerda (BE) de Vieira do Minho veio, em comunicado, reforçar a sua preocupação relativamente às questões da gestão/ordenamento do território e a transformação do território naquilo que apelidam de um “palco de negócio ao serviço da especulação imobiliária”.

O BE relembra o “Empreendimento do Ermal” anunciado em 2006, que previa a construção de um campo de golfe de 18 buracos, uma unidade hoteleira, bungallows, moradias e zona residencial de dezenas e dezenas de habitações, com o investimento da empresa “Laguna Parque”. Este projeto, para o partido, correspondia “a um negócio de contornos obscuros destinado a promover a especulação imobiliária à custa dos pequenos proprietários dos terrenos”.

O projeto não avançou e, atualmente, segundo o BE, “estamos perante outro projeto de contornos muito similares ao projeto de há anos atrás”.

De acordo com o comunicado do BE, o presente projeto “é quase decalcado do primeiro nalguns aspetos, mas mais preocupante noutros”, diferindo “na área afetada que quase duplica, e na caraterização como Projeto de Interesse Nacional”. Para os bloquistas, esta estratégia visará a aceleração do processo de licenciamento/autorização e habilitação a fundos comunitários. “Em nosso entender o projeto não corresponde a um projeto de interesse nacional como os promotores o “embrulham””, referem.

Para o BE, a aprovação do projeto configuraria algo de “preocupante”, devido aos impactos ambientais, de eventual enquadramento do edificado e da densidade da urbanização prevista para uma área sensível como é a da Albufeira do Ermal.

Neste momento a albufeira já tem problemas de limpidez das águas e existência de microalgas no verão, aquando da redução de caudal, acusa o BE, acrescentando que há estudos realizados “que garantem que o consumo efetivo de água para rega de um campo de golfe de 18 buracos corresponde ao consumo de água de uma pequena cidade de alguns milhares de habitantes”.

Para além disso, os bloquistas referem que a “escorrência superficial da água, com fertilizante diluído, que ocorre quando o solo se encontrar saturado de humidade, terá como destino a albufeira, já ela pressionada pela descarga da ETAR do Mosteiro, localizada a montante, além de outras já implantadas em ribeiras adjacentes ou a pressão de novas ETAR(s) que venham a surgir na envolvente da albufeira”. Relembram ainda que, em 2005, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda enviou um requerimento ao ministro do Ambiente e Ordenamento do Território que punha em causa a localização da ETAR junto à albufeira do Ermal, em Vieira do Minho: “tínhamos a razão do nosso lado, como hoje muitos reconhecem“.

[foto: CM VM]