Maria Celeste é a protagonista de mais um episódio do projeto “Pessoas centenárias de Vieira do Minho” – um projeto CAVA.
A 12 de agosto de 1924 nascia, na freguesia de Pinheiro, em Vieira do Minho, Maria Celeste. Lá, permaneceu até aos 24 anos.
Filha de agricultores, Maria Celeste teve nove irmãos. A família continuou a crescer e deixou “dez netos e 12 bisnetos”, como orgulhosamente partilhara.
Da infância, recordou as dificuldades que viveu: “A escola era em Pinheiro, Vieira do Minho”, partilhou. “Tinha uma boneca de farrapos. Não havia dinheiro para comprar as bonecas como há agora”.
Mas esta era uma boneca com muito significado, para Maria Celeste, pois havia sido feita por uma senhora amiga brasileira. Como explica uma das suas filhas, Maria Celeste tivera, em Pinheiro, familiares vindos do Brasil.
Depois de viúva, tomou conta de uma loja e de uma funerária. Como diz a filha, “foi comerciante, toda a vida, e teve de trabalhar muito, para pôr sete filhos a estudar”.
Dos muitos momentos felizes que teve na vida, Maria Celeste destacou “o casamento e o nascimento dos filhos”.
Já o momento mais triste, foi quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que a impediu de trabalhar, o que a deixou desanimada, porque queria continuar a fazer o que mais gostava.
Questionada sobre qual o segredo para chegar aos 100 anos, esta centenária vieirense, não tinha dúvidas: “Trabalha-se!”
E era também o trabalho que recomendava aos mais jovens, como forma de os aconselhar a chegar mais longe: “Trabalhar, honestamente”, sublinhou. O trabalho sempre fez parte da sua vida.
Da sua memória, fazia parte também um episódio, em que um grande fogo lavrou a Serra, na sua terra. “Os bombeiros não eram conhecidos, mas fizemos comida para todos”, contou Maria Celeste e continuou: “O meu pai foi ajudar os bombeiros, porque não estavam as fazer as coisas certas. Mas seguiram o que ele disse e o fogo terminou depressa. Acabou-se tudo muito depressa”, recordou.
Este ano, Maria Celeste completou 102 anos. O mês de agosto trouxe mais um ano de vida a esta centenária que, serenamente, e com muita lucidez, viveu cada dia.
Infelizmente, no dia 18 de setembro do ano de 2026, Maria Celeste Vieira da Silva Oliveira faleceu.
Ficam, por isso, gravadas, para a posteridade, as palavras de uma mulher que enfrentou a vida com muita coragem.
Será, para sempre, recordada. Paz à sua alma!
Um projeto CAVA, visto pelo olhar atento de João Sousa, fotógrafo e videógrafo, com o apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude, I. P. (IPDJ, I. P.); O Jornal de Vieira e Rádio Alto Ave.