Uma delegação da CDU composta por Sandra Cardoso, 1.ª candidata pelo Círculo de Braga, Inês Rodrigues e Ana Sofia Cabeleira, candidatos à Assembleia da República, e Torcato Ribeiro, mandatário regional da CDU e membro da AM de Guimarães, foi recebida pela CIM do Ave.
Na opinião da CDU, “só criando condições vantajosas é que as pessoas podem reduzir a utilização do transporte particular”. O PART – Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos, iniciado em 2019, levou a um aumento global de passageiros nos transportes públicos e teve um impacto significativo no financiamento do sistema de transportes, na poupança das famílias e na simplificação dos sistemas tarifários, atraindo assim novos passageiros para o transporte público coletivo, refere a CDU, em comunicado.
“O passe intermodal facilitou a utilização dos transportes públicos geridos pelas diferentes operadoras, respondendo às necessidades da população. O exemplo das Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa com a criação de um passe no valor máximo de 40€, que permite viajar em toda a área metropolitana sem ter de adquirir diferentes passes, conforme as operadoras que gerem o serviço, pode e deve ser replicado no distrito de Braga. A articulação da oferta de transportes entre as CIM do Cávado, CIM do Ave e a Área Metropolitana do Porto seria uma enorme mais-valia“, refere a coligação.
As preocupações acerca do insuficiente financiamento da oferta de transportes estiveram em cima da mesa perante a constatação de deficit para o pagamento da operação atual no ano corrente e as estreitas limitações orçamentais que condicionam a concretização da intermodalidade tarifária. A discriminação nos valores do financiamento via PART comparativamente com Lisboa e o Porto foi também referida, com a ilustração que apesar dos territórios da CIM do Ave corresponderam a 5% da população nacional apenas são atribuídos cerca de 2% das verbas disponíveis.
A delegação da CDU teve oportunidade de lembrar a proposta do PCP em sede de discussão do Orçamento do Estado para 2024 para reforço das verbas do PART e que mereceu a rejeição por parte da maioria absoluta do PS.
Relativamente à dimensão técnica da concretização da intermodalidade tarifária, foi transmitido que as condições estão criadas, faltando a decisão política que permita o correspondente reforço do financiamento.
A necessidade do reforço da fiscalização da concessão foi outra das preocupações abordadas.
Na opinião da CDU, só a falta de vontade política explica que aquilo que a realidade vivida no Porto e em Lisboa, no que aos transportes públicos coletivos diz respeito, não se concretize na região de Braga e no resto do país.
A forma como tem vindo a decorrer a concessão AVE Mobilidade, que serve as populações de Cabeceiras de Basto, Fafe, Guimarães, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão e Vizela, e que entrou em vigor no dia 1 de Dezembro de 2022, foi também objecto de troca de impressões. A delegação da CDU partilhou, ainda, queixas de utentes relativamente à falta de oferta. Relembrou também as queixas sobre as condições de trabalho e remunerações dos trabalhadores da concessionária Transdev.
A CDU insiste que os respectivos presidentes das câmaras municipais e das CIM do Cávado e do Ave precisam empenhar-se, efectivamente, na concretização desta justa reivindicação das populações, mudando a postura passiva que, lamentavelmente, têm mantido ao longo do tempo.
A CDU já realizou um encontro com a CIM do Cávado para abordar estas matérias.
Na reunião foi ainda possível abordar o tema do ambiente, nomeadamente a floresta e a prevenção de incêndios rurais, tendo ressaltado que faltam recursos financeiros para dar resposta às reais necessidades.
[foto: CDU]