O empresário Fernando Neves, arguido no processo das construções alegadamente ilegais na zona da Albufeira da Caniçada, em Vieira do Minho, confessou ontem, no Tribunal da Instância Central Criminal de Braga, ter construído mais do que tinha sido autorizado pela Câmara Municipal de Vieira do Minho.

Segundo avança o jornal O MINHO, na terceira audiência do julgamento, Fernando Neves afirmou que “a família estava a crescer” pelo que terá construído “mais uma sala e um quarto”, de mais um piso, numa zona duplamente protegida, e cuja área prevista era o triplo que a dimensão das supostas ruínas de casas antigas, mas que afinal eram currais.

O arguido natural do Porto e residente em Vila do Conde, terá também reconhecido no julgamento que as fotografias anexas ao processo administrativo para licenciamento prévio da moradia na autarquia, não são as mesmas fotografias do terreno onde implantou a casa, em Fornelos, Louredo, tendo as fotos falsas simulado “preexistências” com direitos adquiridos, cuja autenticidade é colocada em causa pelo Ministério Público.

O empresário explicou ter construído “uma sala e um quarto”, mesmo depois de ter sido “informado verbalmente”, na Câmara Municipal de Vieira do Minho, que nunca seria autorizado aditamento para a obra, numa zona abrangida pelo Plano de Ordenamento da Albufeira da Caniçada, do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Situações idênticas já eram praticadas há cerca de 20 anos, não só em Vieira do Minho, como em Terras de Bouro, na margem esquerda do Rio Cávado. Ficou também a saber-se que o então presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho, Jorge Dantas, terá sido alertado via email, por um vizinho das novas moradias, quando as mesmas ainda estavam em fase de construção.