8 de março, dia Internacional das Mulheres, é o dia em que se comemora a Mulher e todas as suas conquistas e direitos. Mas sabe porque foi escolhido este dia para tal?
A 8 de março de 1857, em Nova Iorque, um conjunto de trabalhadoras do sector têxtil da cidade levou a acabo uma manifestação espontânea, em protesto contra os baixos salários, contra a jornada de trabalho de 12 horas e o aumento de tarefas não remuneradas. Esta manifestação e estas mulheres foram reprimidas pela polícia de uma forma brutal e da qual resultaram muitas mulheres mortas.
Apesar do primeiro Dia Internacional da Mulher ter surgido na Europa e nos Estados Unidos da América, no final do século XIX, só em 1975 foi instituído como Dia Internacional das Mulheres, pelas Nações Unidas atualmente, a data é comemorada em mais de 100 países.
A proposta de tornar a data internacional veio de uma mulher chamada Clara Zetkin, ativista comunista e defensora dos direitos das mulheres.

Ela deu a ideia em 1910 durante uma Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague. Havia 100 mulheres, de 17 países, presentes, e elas concordaram com a sugestão dela por unanimidade.
A data foi celebrada pela primeira vez em 1911, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça. E seu centenário foi comemorado em 2011 — então, neste ano, estamos tecnicamente comemorando o 111º Dia Internacional das Mulheres.
A Mulher na atualidade
A igualdade de oportunidades entre os homens e as mulheres é crucial para garantir a sustentabilidade de uma economia e de um país. Passados 169 anos do protesto de Nova York, e de acordo com a previsão feita pelo Fórum Económico Mundial no período pré-Covid, serão necessários mais 257 anos para eliminar a desigualdade de género no mundo manifestada em vários níveis, étnico, social, político e socioeconómico sendo uma delas a disparidade salarial.
Em 2020 segundo dados divulgados pelo Eurostat no âmbito do Dia Internacional da Mulher, Portugal tinha 36% de mulheres em cargos de gestão no terceiro trimestre de 2020, ligeiramente acima dos 34% da média da União Europeia sendo a maior percentagem registada na Letónia 45% e Polónia 44%, seguidas pela Bulgária, Hungria, Eslovénia e Suécia 42% cada. No extremo oposto da escala, as mulheres representam apenas cerca de um quarto dos gestores na Croácia 24%, Holanda 26% e Chipre 27%. (dados da Ordem dos Advogados)
Apesar do aumento de mulheres em cargo de gestão ter aumentado em Portugal, em 2021 a diferença salarial era de 23%.
Portugal tem mais mulheres no Governo e no parlamento que a média da UE, segundo dados relativos a 2020, publicados pelo Eurostat, que refere que um em cada três membros dos parlamentos e dos governos do espaço europeu eram mulheres, um aumento de 13% em relação a 2004.
Já o número de chefes de estado e de governo era apenas quatro, Alemanha, Dinamarca, Estónia e Finlândia, e a nível mundial são apenas 25.
Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, admitiu hoje, em comunicado que os passos dados para “mitigar a discriminação contra as mulheres e salvaguardar a igualdade na Lei, na Constituição, e na Família, na revisão do Código Civil, na paridade no emprego, nos salários, nos cargos de direção, na política, nas responsabilidades familiares e domésticas, na proteção contra a violência — foram decisivos, mas são ainda insuficientes“.