O desporto rei é feito de ciclos, mas poucos em Vieira do Minho anteviam uma queda tão abrupta. Dois anos após erguer a sua sétima Taça AF Braga, num dos capítulos mais bonitos da história recente do clube, o Vieira Sport Clube vive agora o amargo sabor da despromoção. A uma jornada do fim da Liga bigONE Pró Nacional, o cenário que se temia tornou-se uma realidade matemática: o histórico emblema da vila minhota vai jogar na Divisão de Honra na próxima temporada.
A crónica de uma descida anunciada começou a desenhar-se cedo, mas foi em janeiro que o clube sofreu o primeiro grande abalo da época. Habituado a longas caminhadas na Taça AF Braga, o Vieira SC viu-se precocemente arredado da Taça. Nos 1/16 de final, a jogar no seu reduto, a equipa foi surpreendida pelo Académico de Martim, saindo derrotada por 1-3. No rescaldo dessa eliminação, o então técnico José Xavier não escondeu a frustração, apontando publicamente o dedo à falta de atitude e exigindo uma mudança estrutural no plantel, um aviso que, face aos acontecimentos seguintes, parece ter ecoado em vão.
No campeonato Pró Nacional, a caminhada foi uma autêntica provação. Frente a candidatos assumidos e equipas de processos mais consolidados, como o Dumiense, o Pevidém ou Os Sandinenses, as fragilidades defensivas do Vieira SC foram severamente expostas. A equipa foi perdendo o fulgor e a confiança, averbando derrotas pesadas que cavaram um fosso intransponível na tabela classificativa.
À entrada para o mês de maio, com apenas nove pontos em disputa até ao pano cair, a calculadora deixou de fazer falta. Estacionado na cauda da tabela com meros 30 pontos, e a uns intransponíveis 11 pontos de distância da linha de água, o destino ficou selado.
Olhar o futuro e planear o regresso
Apesar do desaire desportivo, a estrutura do Vieira SC recusa deitar a toalha ao chão. Percebendo que o desfecho era inevitável, a direção do clube optou por antecipar o defeso. Em vez de lamentos, o foco mudou drasticamente para a próxima temporada: já estão em marcha os trabalhos de planeamento e a garantia de novos reforços para atacar a Divisão de Honra.
O tom no Estádio Municipal de Vieira do Minho é de reestruturação. O tombo na Pró Nacional deixa feridas, mas a história do clube dita que o desalento não pode durar muito tempo. Resta agora aos adeptos apoiar a transição e esperar que a passagem pelo escalão secundário do distrito seja apenas um breve interregno rumo ao lugar que o Vieira SC reclama por direito no futebol minhoto.