A Câmara Municipal de Vieira do Minho aprovou, em reunião de Câmara, o Plano e Orçamento para 2026, o primeiro grande documento estratégico do novo executivo liderado por Filipe de Oliveira. O orçamento, no valor global de 25,2 milhões de euros, é apresentado, pela autarquia, como um “instrumento de transição: reconhece o peso das limitações herdadas, mas assinala o arranque de um novo ciclo político, orientado para a recuperação demográfica, a modernização do território e a centralidade das políticas sociais“.
De acordo com a Câmara Municipal de Vieira do Minho, em comunicado, as eleições autárquicas de 2025 marcaram um ponto de viragem na vida democrática do concelho, “com os vieirenses a rejeitarem a estagnação e a escolherem um novo rumo“.
O mandato iniciou-se, contudo, num contexto “particularmente exigente“. Os indicadores demográficos revelam um concelho envelhecido — com um índice de envelhecimento de 353,3 e apenas 49 nascimentos registados em 2024 — e uma “crescente perda de jovens qualificados, problemas agravados pela degradação da coesão territorial e pela fragilidade dos serviços públicos essenciais“.
No plano financeiro, o orçamento “revela igualmente o peso das condicionantes herdadas“. As despesas com pessoal ascendem a 9,8 milhões de euros, representando mais de metade do total. Segundo o executivo, este valor “resulta da expansão do quadro de pessoal ocorrida nos últimos anos, intensificada em 2025, no final do ciclo eleitoral, e não de reformas estruturais. A incorporação permanente dessa expansão representa um encargo duradouro que limita a capacidade de investimento municipal nos próximos anos“.
A par deste “peso estrutural“, subsistem contratos plurianuais, protocolos, empreitadas e compromissos financeiros que não podem ser interrompidos e que “continuam a absorver recursos significativos“. O município sublinha que estas obrigações condicionam a margem de manobra financeira em 2026, justificando o caráter transitório do orçamento agora aprovado, que assume “as limitações do passado mas projeta o futuro com determinação“.
Do lado da receita, o orçamento integra 17,8 milhões de euros de receita corrente, 6,5 milhões de euros de receita de capital — grande parte proveniente de fundos comunitários e do Portugal 2030 — e 765 mil euros de operações não efetivas. As transferências do Estado, no valor de 12,5 milhões de euros, constituem a principal fonte de receita, enquanto a receita fiscal se mantém estável, totalizando 2,3 milhões de euros.
Apesar dos constrangimentos, o Plano e Orçamento de 2026 incorpora já um conjunto de medidas que o executivo apresentou como compromissos eleitorais. Entre estas, destacam-se três novos programas sociais estruturantes: “Vieira + Vida”, destinado a incentivar a natalidade; “Vieira + Saúde”, que apoia despesas de saúde de idosos, doentes crónicos e famílias vulneráveis; e “Vieira + Igual”, um complemento anual dirigido a idosos carenciados.
O executivo reforça também o apoio ao setor agropecuário, valorizando o papel económico da atividade rural e reconhecendo o contributo do garrano como elemento distintivo da Serra da Cabreira, tanto pela sua relevância turística como pela função ecológica que desempenha.
Paralelamente, 2026 marca o início do programa estratégico “Vieira com Vida”, considerado “o mais ambicioso compromisso do executivo socialista”. Este programa pretende recuperar população, revitalizar o centro urbano, dinamizar aldeias, atrair investimento e promover um modelo de desenvolvimento integrado, abrangendo economia, coesão social, ambiente, cultura e participação comunitária. Durante este ano, serão desenvolvidos os estudos, diagnósticos, parcerias e instrumentos necessários para a sua implementação a médio prazo.
O novo executivo assume ainda 2026 como um ano de “preparação séria e rigorosa do futuro“, projetando prioridades estruturais como melhoria de acessibilidades, mobilidade municipal, expansão e eficiência do saneamento básico, atração de empresas, proteção da floresta, modernização de serviços públicos, políticas de juventude mais ativas e reforço do posicionamento turístico do concelho enquanto destino sustentável.
Apesar de o orçamento refletir “os limites acumulados“, o município garante que está a lançar os alicerces de um novo ciclo político. “O futuro que os Vieirenses escolheram começa com trabalho sério, responsável e persistente”, sublinha o executivo, afirmando que 2026 será o ano do arranque, da reorganização interna e da construção das bases para “um concelho mais justo, sólido e equilibrado“.
A autarquia concluiu o comunicado, afirmando que o Plano e Orçamento aprovado marca, assim, o primeiro passo para a construção de “uma Vieira com futuro” — uma visão que coloca as pessoas no centro das políticas públicas e que pretende transformar o concelho num território mais coeso, dinâmico e preparado para os desafios demográficos, económicos e sociais das próximas décadas.