O Governo anunciou, esta quarta-feira, que, para fazer face à seca, vai recomendar o aumento da tarifa da água para os maiores consumidores em 43 concelhos em situação mais critica.

Esta é uma das 11 medidas tomadas após uma reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca (CPPMAES), e anunciadas pelo ministro do Ambiente e Ação Climática, Duarte Cordeiro e pela ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes. 

De acordo como os ministros, o aumento da tarifa deve dirigir-se a consumidores de mais de 15 metros cúbicos de água, sendo que o consumo médio de uma família é de cerca de 10 metros cúbicos.

Apesar de esta recomendação ser dirigida aos 43 municípios com menos água, Duarte Cordeio ressalva que “nada impede que outros” concelhos o possam fazer também. 

Segundo a lista apresentada ontem, 40 concelhos ficam a norte e centro do país e três no Algarve. São concelhos que têm uma capacidade de água que dá para menos de um ano.

43 concelhos considerados em situação mais crítica:

  • Aguiar da Beira
  • Alfândega da Fé
  • Alijó
  • Aljezur
  • Armamar
  • Carrazeda de Ansiães
  • Carregal do sal
  • Celorico da Beira
  • Chaves
  • Fornos de Algodres
  • Guarda
  • Lagos
  • Macedo de Cavaleiros
  • Mangualde
  • Mêda
  • Mesão Frio
  • Mogadouro
  • Moimenta da Beira
  • Montalegre (pode servir Boticas e Ribeira de Pena)
  • Mortágua
  • Murça
  • Nelas
  • Oliveira de Frades
  • Penalva do Castelo
  • Peso da Régua
  • Pinhel
  • Santa Comba Dão
  • Santa Marta de Penaguião
  • São João da Pesqueira
  • São Pedro do Sul
  • Sernancelhe
  • Tábua
  • Tabuaço
  • Tarouca
  • Tondela
  • Torre de Moncorvo
  • Valpaços
  • Vila do Bispo
  • Vila Flor
  • Vila Nova de Foz Côa
  • Vila Real
  • Viseu
  • Vouzela

Outras recomendações anunciadas:

  • Restrições no uso da água como a suspensão temporária de lavagem de ruas ou do uso de piscinas, prevendo-se um “regime sancionatório para penalizar usos indevidos de água”;
  • Instalação de torneiras redutoras nos edifícios públicos, com o apoio do Fundo Ambiental;
  • Serão tomadas medidas na área da contabilização da água, para que não haja “volumes de água perdidos ou não considerados para faturação”;
  • Rega deve ser feita durante a noite;
  • Setor industrial deve possuir projetos de eficiência no uso da água.

Em relação às albufeiras com menos de 20% da sua capacidade, Duarte Cordeio afirmou que vai haver uma monitorização mais apertada e vão ser revistos os vários usos da água (títulos de utilização) dessas albufeiras. Vai também procurar-se, acrescentou, alargar a utilização do volume morto dessas albufeiras, e o Governo vai dar também “atenção especial” à proteção de massas de água em zonas de incêndio.