Investigadores do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) criaram uma sopa enriquecida com brássica (couve-galega) desidratada que pretende ajudar a colmatar as carências alimentares dos idosos da euro-região Norte de Portugal-Galiza.

Em comunicado, o IPVC explicou que a sopa foi desenvolvida ao abrigo do projeto Nutriage com o objetivo de “criar soluções avançadas para melhorar a qualidade de vida dos idosos” residentes em lares nas duas regiões vizinhas.

Segundo Ana Cristina Duarte, do Centro de Investigação e Desenvolvimento em Sistemas Agroalimentares e Sustentabilidade (CISAS), esta ação “teve como objetivo o desenvolvimento de um produto alimentar destinado à população idosa que contribua para corrigir deficiências e desequilíbrios detetados nos lares de idosos, tendo em conta os hábitos alimentares dos idosos e viável desde o ponto de vista tecnológico, económico e comercial”.

Em que consiste esta sopa?

Um dos principais componentes da sopa é a farinha de couve-galega (género Brássica), vegetal amplamente cultivado e consumido nas regiões do Norte de Portugal e Galiza e um componente tradicional da Dieta Atlântica”, esclareceu Ana Cristina Duarte.

A investigadora adiantou que o seu consumo “está associado ao efeito preventivo de algumas doenças crónicas, como cancro, aterosclerose e diabetes”.

Estes efeitos benéficos foram atribuídos à presença de compostos bioativos com atividade antioxidante, como compostos fenólicos, carotenoides e flavonoides. Em alternativa à couve fresca, a couve desidratada pode ser uma boa fonte de proteínas, fibras e compostos bioativos e, portanto, pode ser usada para enriquecer matrizes alimentares”, confirmou a investigadora, garantindo que esta sopa “tem um alto teor de proteína e pode fornecer uma percentagem razoável das necessidades diárias de fibra para os idosos”.

O projeto Nutriage é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa Interreg V-A España-Portugal (POCTEP) 2014-2020.

Durante a pesquisa, o IPVC trabalhou com idosos do lar da Santa Casa da Misericórdia do Porto, um dos parceiros do projeto.

De acordo com Ana Cristina Duarte, a produção desta sopa “à escala industrial não foi realizada a 100% por causa da pandemia de covid-19, que impediu o acesso aos lares”.

 

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