Luís Fernandes Gomes (1935-2021) foi homenageado, a título póstumo, na tarde do passado dia 25 de abril, em Vilarchão, freguesia onde foi presidente de Junta de 1974 a 2013.
A homenagem foi promovida por um grupo de amigos, tendo representado um momento simbólico de grande significado para todos que conviveram com Luís Fernandes Gomes.
Começou e terminou com um dos gostos do Luís: três dúzias de fogo de artificio. Pelo meio houve oportunidade para ouvir o testemunho da sobrinha-neta Ana Batoca, em representação da família, Hernâni Gouveia, Vânia Cruz, Filipe de Oliveira, Pedro Pires e José Marques Fernandes.
Foi ainda explicado o significado do memorial descerrado, da autoria do vieirense Kikadesigner, e foram lembrados muitos dos momentos vividos com “o amigo Luís Gomes“.
Memorial Luis Fernando Gomes – Memória Descritiva do Autor Kika Designer
Segundo Hernâni Gouveia, em comunicado, o critério seguido levou o designer a adotar formas simples, com riqueza expressiva e valor simbólico de modo a conseguir um simbolismo em memória da pessoa no seu sentido mais amplo na sua posição política e social pela causa pública! Os elementos preponderantes, na sua composição são a figura estilizada do Luís numa posição “pensador” sobreposta sobre três camadas;
- 1.ª camada estilizando o sopé da Cabreira a sua terra Vilar Chão, quebrada pela flor de abril suportando o nome e as datas do Luís, encontrando os 50 anos de abril
- 2.ª camada erguendo-se nas montanhas da Cabreira surge a homenagem ao Presidente, ao autarca, o democrata, memória e gratidão.
- 3.ª camada surge no alto de Cabreira uma intervenção do Luís no lugar da democracia, assembleia municipal de vieira do Minho, a mesma demonstra todo o seu caráter democrático e perspicácia política que deixa nos dias de hoje saudade!
“A peça no seu conjunto deverá, na sua interpretação, concretizar totalmente o espírito do Luís na sua ligação à sua terra Vilar Chão, a sua ligação à vida pública mas essencialmente a ligação à luta pela democracia, concretizada no 25 de abril“, refere Hernâni Gouveia, em comunicado.
Tal como a RAA já havia noticiado, Luís Fernandes Gomes foi presidente da Junta de Freguesia de Vilarchão de 1974 a 2013. Por força da lei da Agregação de Freguesias e da entrada em vigor da lei de limitação de mandatos, em 2013 deixou de poder candidatar-se para novo mandato, mas não deixou de participar na vida e atividade autárquica, assumindo o lugar de representante do seu Partido na Assembleia da União de Freguesias de Anjos e Vilar Chão (2013-2021).
Na sequência do 25 de Abril, depois cumpridos dois anos como Presidente indigitado da Comissão Administrativa (1974-1976) e depois de um mandato por Eleição em Plenário de Cidadãos Eleitores (1977-1979), exerceu um mandato como eleito na Lista da APU – Aliança Povo Unido (1979-1982), três mandatos como independente, em Lista DIV-Democratas Independentes de Vilar Chão (1982-1993) e cinco mandatos em Lista do Partido Socialista (1993-2013).
“A sua longa e variada vida e atividade política autárquica, a mais longa e variada de um autarca de Vieira do Minho, constitui, de facto, um caso de estudo, podendo ser retratado com um político sui generis, que fazia questão de dizer que tinha apenas a terceira classe, mas que sabia ler nas entrelinhas das narrativas e das movimentações que tecem a atividade política. Digamos que, não sendo um político erudito, era um político genuíno, que poderíamos qualificar com propriedade como um político castiço“, refere Pedro Pires, membro da Comissão Organizadora da Homenagem.
Tendo participado ativamente em cerca de duzentas sessões da Assembleia Municipal de Vieira do Minho, desde a inaugural, em 1976, até praticamente ao ano da morte, em 2021, é especialmente recordada uma intervenção que fez num momento quente de debate interpartidário e que permaneceu como uma espécie de mensagem ou de testamento político: «Meus amigos: em democracia não há inimigos, apenas adversários. Temos posições e visões diferentes, mas lutamos todos pelo mesmo fim: o bem comum dos vieirenses». – Foi, aliás, esta a epígrafe escolhida para figurar no memorial que foi inaugurado, à porta da casa onde viveu, na tarde do dia 25 de Abril, que confessou ter sido o dia mais feliz da sua vida.


