O advogado bielorrusso Ales Bialiatski, e duas organizações de direitos humanos – a Memorial, fundada em Moscovo, na Rússia, e o Centro pela Liberdades Civis, que trabalha na Ucrânia – foram os vencedores do Prémio Nobel da Paz, anunciado esta sexta-feira.
Ales Bialiatski foi um dos pioneiros do movimento democrático que emergiu na Bielorrússia na década de 1980, tendo dedicado “a sua vida à promoção da democracia e ao desenvolvimento pacífico do seu país natal”, lê-se na publicação no Twitter do Prémio Nobel que anuncia Ales como um dos vencedores.
A Memorial, que após o início da guerra foi encerrada por ordem governamental russa, foi destacada por ser “baseada na noção de que confrontar crimes de guerra do passado é essencial para prevenir outros novos”. Fundada em 1987, desenvolve esforços para combater o militarismo e para promover os direitos humanos e um governo com base na lei. Da sua história faz parte o registo de informação sobre abusos e crimes de guerra levados a cabo pelas forças russas e pró-russas durante as guerras na Chechénia, e a morte da responsável da Memorial na Chechénia, Natalia Estemirova, em 2009, por causa deste trabalho.
O Centro pelas Liberdades Civis da Ucrânia venceu o Nobel da Paz pelos esforços, após a invasão russa, de identificar e documentar os crimes de guerra russos contra a população ucraniana. “O centro está a desenvolver um papel pioneiro em culpar as partes responsáveis pelos crimes de guerra”, explica a Fundação Nobel. Foi fundado com o objetivo de fazer avançar os direitos humanos e a democracia na Ucrânia. Tomou uma posição para fortalecer a sociedade civil ucraniana e pressionar as autoridades para tornar a Ucrânia uma democracia de pleno direito.