A região norte registou um arranque de ano positivo no primeiro trimestre de 2026, consolidando a sua posição como um dos principais motores da economia nacional. Segundo os dados mais recentes do relatório Norte Conjuntura, publicado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR NORTE), a região destacou-se pela criação de emprego, valorização salarial, dinamismo turístico e resiliência no comércio externo.
A população empregada no norte atingiu os 1,802 milhões de pessoas, o que representa um acréscimo líquido de 21,5 mil postos de trabalho em comparação com o primeiro trimestre de 2025 (+1,2%). Este crescimento do mercado de trabalho foi maioritariamente alavancado pelo setor dos serviços, que gerou cerca de 54 mil novos empregos, absorvendo os impactos negativos e as perdas de postos de trabalho registadas nos setores primário e da indústria transformadora.
A taxa de desemprego na região fixou-se nos 6,0%, registando uma trajetória de estabilidade em relação ao trimestre anterior e ficando ligeiramente abaixo da média nacional (6,1%). Em termos absolutos, o contingente de desempregados sofreu uma diminuição homóloga de 11%.
A par da criação de postos de trabalho, verificou-se uma evolução positiva do rendimento real: os salários líquidos mensais dos trabalhadores por conta de outrem cresceram 4,6% em termos reais, superando o aumento médio observado a nível nacional (4,3%).
Num quadro internacional de incerteza, as exportações de bens da Região Norte aumentaram 2,6% face ao período homólogo. O desempenho contrasta com o recuo de 6,6% verificado no total do país, impulsionado sobretudo pelas trocas comerciais com os parceiros da União Europeia e pelo crescimento expressivo na venda de bens de capital (+31,4%).
A região manteve-se com um saldo comercial favorável, registando uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 109,1%.
O setor do turismo registou 2,6 milhões de dormidas entre janeiro e março, correspondendo a uma subida de 6,2% face ao ano anterior — um ritmo superior ao crescimento de 1,2% observado no continente. A procura por parte de não residentes impulsionou este indicador (+8,4%), acompanhada por subidas de 6,5% nos proveitos totais e de alojamento.
No plano financeiro, o montante total de crédito concedido a famílias e empresas na região avançou 8,6% (contra 7,2% no plano nacional), destacando-se o crédito familiar (+10,0%) e as novas operações de financiamento empresarial, que dispararam 23,4%.
Apesar do balanço global favorável, a publicação da CCDR NORTE assinala áreas em desaceleração:
- Indústria Transformadora: O nível de emprego no setor diminuiu 4,8%, sinalizando dificuldades acrescidas em ramos tradicionais.
- Licenciamento de Edifícios: O número de imóveis licenciados sofreu uma quebra de 10,1% em termos homólogos.
- Mercado Imobiliário: A avaliação bancária da habitação na região continuou a subir, fixando-se nos 1.805 euros por metro quadrado (+17,7% face ao 1.º trimestre de 2025).
O boletim Norte Conjuntura é editado trimestralmente pela CCDR NORTE desde 2006 com o objetivo de monitorizar e identificar as tendências conjunturais da economia regional.