| Artigo de opinião da direção da Associação Benévolos de Dadores de Sangue de Fafe

No passado dia 28 de fevereiro a Assembleia da República rejeitou a consagração de uma falta justificada para dadores de sangue, constitui para nós, uma oportunidade perdida na valorização de um gesto essencial à sociedade. Ao manter o regime atual que prevê apenas a dispensa pelo tempo estritamente necessário à dádiva, o Parlamento ignora as dificuldades reais que muitos trabalhadores enfrentam para conciliar horários profissionais exigentes para doar sangue. Deslocações, tempos de espera e o próprio período de recuperação tornam, muitas vezes, difícil o regresso imediato ao trabalho sem constrangimentos.

Importa sublinhar que já existem exemplos no país de maior reconhecimento. Na Região Autónoma da Madeira, por exemplo, são concedidos dois dias de dispensa aos dadores que vão doar sangue, demonstrando que é possível valorizar de forma mais efetiva este ato nobre e solidário.

Recorde-se que a dádiva de sangue é voluntária, gratuita e indispensável ao funcionamento do sistema de saúde. Todos os dias são necessárias mil e cem unidades de sangue para cirurgias, tratamentos e situações de emergência. Cada dádiva pode salvar até três vidas.

Reconhecer uma falta justificada não seria um privilégio, mas um sinal claro de respeito por quem contribui, de forma solidária, para o bem comum, realçamos que em janeiro alterou-se o critério da idade para doar sangue passando a ser possível doar sangue até aos 70 anos sem complicações de saúde.

A Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Fafe continuará a defender que facilitar a dádiva é
fortalecer a cidadania. Porque doar sangue é um ato de generosidade e a generosidade merece reconhecimento a todos os dadores.