A Direção-Geral da Saúde (DGS) revelou, na noite desta quinta-feira, a posição técnica sobre a vacinação contra a Covid-19 em crianças dos 5 aos 11 anos.

“[…] Conclui-se que a avaliação de risco-benefício é favorável à vacinação universal de crianças nesta faixa etária, sendo prioritária nas crianças com comorbilidades consideradas de risco para a COVID-19 grave”, pode ler-se no documento.

O parecer em causa indica que os treze membros da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 votaram a favor da vacinação universal nesta faixa etária.

Tratam-se dos técnicos Ana Maria Correia, António Sarmento, Diana Costa, João Rocha, Luís Graça, Luisa Rocha, Manuel do Carmo Gomes, Maria de Fátima Ventura, Maria de Lurdes Silva, Marta Valente Pinto, Raquel Guiomar, Teresa Fernandes, e Válter R. Fonseca, todos da Direção-Geral da Saúde.

Esta sexta-feira, a DGS e o Núcleo de Coordenação de Apoio ao Ministério da Saúde prestarão esclarecimentos técnicos adicionais, a respeito do calendário de vacinação e respetiva logística.

O que diz este parecer técnico?

-A Agência Europeia de Medicamentos “deu parecer positivo à formulação pediátrica da vacina contra a Covid-19 […] para as crianças com cinco a 11 anos de idade, com base num ensaio clínico com mais de 2.000 crianças, tendo concluído, após avaliação da eficácia (90,7%) e segurança (perfil de segurança semelhante ao observado na população com mais de 12 anos), que os benefícios superaram os riscos nestas faixas etárias“.

Não são conhecidos potenciais riscos associados a reações adversas mais raras, para estas faixas etárias, como, por exemplo, a ocorrência de mio/pericardites registadas para adultos jovens vacinados com vacinas de mRNA”

-O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças diz que cerca de 78% das crianças hospitalizadas não apresentam comorbilidades, alertando que o risco de hospitalização é superior (12-19 vezes) em crianças com doenças de risco.

-De acordo com dados da DGS, as crianças com 5 a 11 anos constituem cerca de 40% do total de casos diagnosticados em pessoas com menos de 18 anos. 

-As autoridades de saúde dos Estados Unidos, Canadá e Israel também recomendam a vacinação contra o novo coronavírus SARS-CoV-2 de crianças de cinco a 11 anos.

-O grupo de especialistas em Pediatria e Saúde Infantil considerou que “deve ser dada prioridade à vacinação dos adultos e dos grupos de risco, incluindo as crianças dos 5 aos 11 anos”, devendo ser “prudente aguardar por mais evidência científica antes de ser tomada uma decisão final de vacinação universal deste grupo etário“. 

-“Em quatro meses (dezembro de 2021 a março de 2022), uma cobertura vacinal de 85% das crianças com 5 a 11 anos, assumindo uma efetividade contra hospitalização de 95%, e assumindo um cenário de incidência mediana idêntico ao registado no período homologo (entre dezembro de 2020 e março de 2021), estima-se que evitaria 51 (9 a 147) hospitalizações e 5 (1 a 16) internamentos em UCI. Neste período, assumindo uma taxa de ocorrência de mio/pericardites pós-vacinação com Comirnaty semelhante à registada para os 12-15 anos (1,3/100.000 doses), esperam-se sete mio/pericardites associadas à vacinação“.

-“Atentos os dados disponíveis em matéria de eficácia e de segurança na administração pediátrica das vacinas disponíveis contra a COVID19, é no melhor interesse da criança com idade compreendida entre os 5 e os 11 anos ser vacinada contra a COVID-19 com a vacina que, de entre as disponíveis no mercado, clinicamente se revelar a mais indicada para o efeito

-“Com base na informação disponível, a variante Ómicron pode originar uma incidência mais elevada nas crianças com 5 a 11 anos do que aquela que foi assumida na análise risco-benefício“.

Este parecer serviu de base para a recomendação da Direção-Geral da Saúde para a vacinação de crianças. A vacina a utilizar será a Comirnaty, que tem parecer positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para a formulação pediátrica.