O PCP anunciou que os seus seis deputados não vão estar presentes na sessão solene da Assembleia da República (AR) em que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, vai discursar.

O PCP não participará numa sessão da AR concebida para dar palco à instigação da escalada da guerra, contrária à construção do caminho para a paz“, anunciou, esta quarta-feira, a líder parlamentar do PCP, Paula Santos.

O partido defendeu que Zelensky “personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi, incluindo de caráter paramilitar, de que o chamado Batalhão Azov é exemplo“.

Paula Santos frisou que Volodymyr Zelensky “ataca e massacra a própria população ucraniana no Donbass“, e que “persegue e elimina quem se lhe opõe, como se verificou com o massacre de 2 de Maio de 2014“.

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O PCP acusou “o poder ucraniano” de praticar uma política de “discriminação com base na língua, [que] ataca o direito de opinião, promove a perseguição política” (relativamente à situação vivida pelos ucranianos russófonos no leste da Ucrânia). Também a ilegalização do Partido Comunista foi um dos motivos avançados para justificar a sua ausência.

Paula Santos frisou que o PCP “não tem nada a ver com o Governo russo e o seu Presidente”, ressalvando que a situação na Ucrânia é “grave” e “preocupante”. “A opção de classe do PCP é oposta à das forças políticas que governam a Rússia capitalista e dos seus grupos económicos”, acrescentando que deve ser encontrada uma solução para a paz, que é um “caminho contrário do que está a ser feito, que promova o diálogo”, acusando a NATO, União Europeia e os EUA de dificultarem este caminho.

O presidente ucraniano vai falar via videoconferência no Parlamento, esta quinta-feira, às 17 horas, numa cerimónia em que estarão presentes o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.