A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso tem vindo a elaborar o perfil do Cuidador Informal da Póvoa de Lanhoso. Apesar de a realidade analisada ser dinâmica, já foi possível apurar alguns dados, através de um inquérito por questionário online, que conseguiu chegar a 43 cuidadores. Sabe-se que existam mais, no concelho, sendo que 15 pessoas afirmaram beneficiar do Estatuto do Cuidador Informal.

O objetivo deste levantamento vai de encontro ao trabalho que tem sido desenvolvido pelo GACI – Gabinete de Apoio ao Cuidador Informal de orientar e informar os/as cuidadores/as informais sobre os seus direitos, que se encontram patentes no Estatuto do Cuidador Informal, e na possibilidade ao acesso ao Subsídio de Apoio ao Cuidador Informal. O GACI tem vindo a desenvolver outras respostas dirigidas para este público, como os Grupos de Ajuda Mútua e o encaminhamento para apoio psicológico. Contudo, existe necessidade de conhecer a realidade dos cuidadores informais (com e sem Estatuto) e as suas necessidades para preparamos respostas mais objetivas e sustentadas que potenciem um aumento da qualidade de vida do/a cuidador/a e da pessoa cuidada”, refere a vereadora da Câmara Municipal, Fátima Moreira.

O questionário realizado permitiu obter elementos para caracterizar os cuidadores informais, através da recolha de informações gerais sobre cuidadores informais residentes no concelho; para caracterizar as pessoas cuidadas, através da recolha de informações sobre a prestação de cuidados informais e sobre as características sociodemográficas das pessoas cuidadas; bem como para recolher informações sobre os apoios recebidos e as necessidades sentidas pelos cuidadores informais residentes no concelho.

No que se refere à sua caracterização, o Cuidador Informal (CI) da Póvoa de Lanhoso é maioritariamente mulher (86%) e tem entre 40 e 59 anos. De notar, no entanto, que a percentagem de CI com idade superior a 80 anos é de 11,6%.

Uma percentagem de 76,7 dos cuidadores informais são casados a viver com o cônjuge, prestando cuidados sobretudo ao pai/mãe (37,2%) ou ao/à cônjuge (27,9%).

Relativamente ao nível de escolaridade, verifica-se uma distribuição bastante equitativa, sendo que o 1.º ciclo relaciona-se com o grau de escolaridade de cuidadores informais mais envelhecidos.
Considerando a situação face ao emprego, 44,2% dos cuidadores informais encontram-se em situação de desemprego e 32,6% são pensionistas. Estes CI têm baixos recursos económicos, o que condiciona o acesso a respostas/apoios que consideram importantes para o seu bem-estar. Verifica-se também que 23,2% dos cuidadores conseguem conciliar a sua atividade profissional e prestar os cuidados necessários à pessoa cuidada.

Relativamente aos recursos económicos do agregado familiar, o CI assume que o mês é gerido com alguma dificuldade (41,9%) ou grande dificuldade (25,6%).

Relativamente às pessoas cuidadas, estas têm, na sua maioria, acima de 66 anos e são maioritariamente mulheres (60%). Residem na casa do próprio CI (88,4%). Numa vastíssima parte das situações (95,3%), estes cuidados são realizados diariamente, ao longo de todo o dia.

Atendendo a uma diversidade de causas de dependência/incapacidade, os cuidados prestados relacionam-se sobretudo com os cuidados de higiene pessoal, alimentação, gestão da medicação, tarefas de limpeza e manutenção da higiene da casa e no acompanhamento a consultas ou realização de exames médicos e fisioterapia.

Os cuidadores informais sentem que os cuidados que prestam têm um impacto moderado (55,8%), na sua saúde física, e impacto moderado (55,3%) a elevado (27,9%), na sua saúde mental. Sentem ainda um cansaço diário moderado (53,5%) a elevado (30,2%). A maioria dos cuidadores informais (51,2%) sente que reduziu/abandonou um pouco a sua atividade social para prestar cuidados a outra pessoa e 34,9% refere que teve que abandonar por completo saídas, convívios, passeios e viagens.

Já o impacto económico na sua vida familiar e pessoal é moderado (46,5%) a elevado (44,2%), tendo repercussões no número de refeições diárias que realizam ou nas horas de sono.

Analisando as necessidades, os cuidadores informais apontaram como principais aspetos o descanso do cuidador, o apoio financeiro e o apoio psicológico.