Vieira do Minho celebrou, esta segunda-feira, dia 21 de março, o Dia Internacional da Floresta e o Dia Mundial da Árvore. A importância do setor florestal, o turismo da natureza, a extração de resina e a importância da preservação da floresta foram alguns dos temas abordados.
Vieira do Minho tem-se desenvolvido, nos últimos anos, em “três grandes áreas: floresta, agricultura e turismo“, começou por explicar António Cardoso, presidente da Câmara. Na presença dos sapadores florestais, da equipa de resineiros, da Diretora Regional (Norte) do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), do presidente da Resipinus, autarcas vieirenses, entre outros, foi possível visitar o Baldio da freguesia de Pinheiro, área onde será iniciada a extração de resina neste ano.
O autarca lembrou as dificuldades que as florestas passaram no passado, que levou a um declínio do setor. No entanto, defende que hoje existe a consciência de que “a floresta é uma mais valia” e que pode e deve ser associada ao turismo do ambiente.
Opinião partilhada por Sandra Sarmento, Diretora Regional (Norte) do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que defendeu que a floresta “é um ativo estratégico para alavancar o desenvolvimento dos territórios, sobretudo no interior”. A dirigente acrescentou ainda que o “turismo de natureza pode e deve ser forma de criar valor nestas florestas”.
O papel do ICNF
A floresta é “produção de material lenhoso, mas é muito mais”, defendeu Sandra Sarmento. “É biodiversidade, turismo, lazer, água, sol, oxigénio, suporte de conjunto de serviços fundamentais”. E é por isso que a representante do ICNF insta as pessoas a “unir-se para a proteger”.
«[A floresta] é um bem precioso, um bem que deve ser estimado e valorizado»
Sandra Sarmento, Diretora Regional (Norte) do ICNF
Sandra Sarmento defendeu a necessidade e importância de “criar formas de valorizar e acrescentar valor ao setor florestal”. Porque, a partir daqui, será possível criar emprego e trazer gente para a floreta, “para a proteger e cuidar”.
O ICNF, de acordo com a dirigente, tem apostado em criar melhores condições para a gestão da floresta: reforço da equipa de sapadores, reforço do corpo de agentes florestais, criação de uma força especial de apoio ao combate, criação de uma nova equipa de gestão de fogo rural. Foram criados ainda um conjunto de projetos de significado nacional de rede primária, com dinâmicas de gestão florestal, um conjunto de intervenções de “controle de espécies invasoras, rearborizações”, entre outras – intervenções que querem uma gestão florestal mais coesa, mais próxima; “para garantir que a floresta não arde”.
A diretora regional Norte do ICNF não deixou de sublinhar o papel dos sapadores, descrevendo-os como “grandes heróis”, que todos os dias cuidam “deste bem que é de todos“.

Opinião partilhada pelo presidente da Junta de Pinheiro, António Lopes, onde se encontra o baldio de produção de resina, que não escondeu o seu “orgulho” em ver o trabalho que tem sido feito neste pinhal, ressalvando todos os envolvidos: sapadores, jovens da resina, município, etc.
Recolha de resina: “Portugal é ainda muito deficitário de resina“
Neste ano de 2022, o baldio da freguesia de Pinheiro será alvo da recolha de resina. A empresa Resipinus, única associação do setor no país, é a responsável por este projeto.
Nascida em 2014, esta Associação de Destiladores e Exploradores de Resina representa os industriais da 1.ª transformação e os resineiros. Nasceu com o objetivo de fazer “renascer a atividade da resina” em Portugal, que, na primeira década do século XXI começou a desaparecer.
A Resipinus nasceu para “dar maior dinamismo ao setor, incrementar e desenvolver as manchas florestais disponíveis”.
Hilário Costa explica que Portugal é ainda muito deficitário de resina. “A produção não chega a 10% do consumo”. E é por isto que o presidente da Resipinus elogiou esta iniciativa criada em Vieira do Minho, mostrando-se disponível para dar todo o apoio necessário para a continuação da mesma.
Neste Dia Internacional da Floresta e o Dia Mundial da Árvore foi possível ainda visitar o Turio, na freguesia de Cantelães. A visita terminou no parque florestal de Vieira do Minho, com António Cardoso e Sandra Sarmento a plantarem duas árvores, junto de algumas crianças que por ali passavam, no momento.






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