‘Comunicar sem Voz’ é o mais recente projeto implementado na Unidade Local de Saúde de Braga (ULD Braga), uma iniciativa pioneira que visa humanizar os cuidados prestados aos doentes com dificuldades de comunicação. A ideia deste projeto partiu da vieirense Carolina Lourenço, enfermeira no hospital, que via, diariamente, a luta dos doentes em expressar-se.

[entrevista da criadora do projeto ‘Comunicar sem Voz’, Carolina Lourenço]

A comunicação é um pilar fundamental da dignidade humana e da relação terapêutica. Na prática clínica, o internamento no serviço de Otorrinolaringologia da ULS Braga evidencia diariamente os desafios vividos por doentes que, por motivos clínicos, perdem temporária ou permanentemente a capacidade de comunicar verbalmente.

Entre os casos mais frequentes encontram-se os doentes com tumores malignos da laringe, cujo tratamento implica, em muitos casos, a realização de uma laringectomia – cirurgia que remove a laringe e, com ela, as cordas vocais, inviabilizando a emissão de som pela via aérea natural. Também emergências, como traqueostomias por obstrução tumoral ou hemorragia, resultam numa perda abrupta da fala.

Reconhecendo esta vulnerabilidade, Carolina Lourenço procurou soluções que ultrapassassem os métodos tradicionais – como papel e caneta – frequentemente ineficazes face à debilidade física e emocional destes doentes. E foi neste contexto que nasceu o projeto ‘Comunicar sem Voz’, com a adoção da aplicação MagicContact, uma ferramenta de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), gratuita, desenvolvida pela Fundação Altice, em parceria com a Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) e o aTOPLab do Politécnico de Leiria.

A aplicação está já a ser utilizada no serviço de Otorrinolaringologia da ULS Braga, permitindo aos doentes comunicar de forma simples, intuitiva e eficaz com os profissionais de saúde, com recurso a tablets, atenuando, assim, os níveis de ansiedade e promovendo uma maior autonomia e conforto. Esta solução tecnológica não substitui a voz, mas devolve ao doente algo essencial: a capacidade de participar ativamente nos seus cuidados, de manifestar necessidades básicas e de se sentir compreendido.