15 minutos. Pouco mais de 15 minutos foi o tempo necessário para o presidente ucraniano Volodimyr falar no Parlamento português sobre todas as atrocidades que têm acontecido na Ucrânia. Zelensky mostrou-se “grato” pelo convite para discursar na Assembleia da República, falando sobre o que tem acontecido nestes 54 dias de guerra e pedindo para Portugal ajudar os ucranianos.

A destruição das cidades, as mortes, os sequestros e as violações foram algumas das atrocidades que o presidente ucraniano foi descrevendo, que não podem ser descritas por fotos ou vídeos. De acordo com Zelensky, os russos mataram as pessoas só para se divertir e também assaltaram as suas habitações. As pessoas foram mortas, foram torturadas, foram violadas nos bunkers onde se escondiam. Eles mataram as pessoas e também dispararam sobre os carros identificados como tendo crianças no interior”, acusou, acrescentando que, só na região de Kiev, foram mortos pelo menos 1.126 ucranianos, dos quais 40 crianças.

O presidente ucraniano acusou a Rússia de estar a capturar famílias ucranianas, acusando-os de estarem a fazer o mesmo que os “outros regimes totalitários faziam. Ucranianos não têm direito a ficar com famílias”. O presidente ucraniano garante que estas pessoas estão a ser colocadas em campos e que há raparigas e mulheres a ser violadas.

Zelensky fala em cenários de “inferno” em algumas cidades, onde os ucranianos são abusados. “Foram obrigadas a cantar o hino da Rússia para as humilhar“, descreveu Zelensky.

A Rússia “continua a bombardear as cidades”, acusou, a destruir infraestruturas civis, de escolas a igrejas. “Os ucranianos foram obrigados a abandonar essas cidades”, ressalvou, acrescentando que “as nossas pessoas não são refugiadas. Tiveram de fugir”.

Zelensky deixou um forte apelo a Portugal, para que apoie a Ucrânia com armamento, com o embargo ao petróleo russo e, posteriormente, com a sua adesão à União Europeia.

O presidente da Ucrânia afirmou que a invasão da Ucrânia é apenas o “primeiro passo” para a Rússia conseguir controlar o leste da Europa.

O presidente ucraniano deixou ainda a memória do 25 de abril de 1974, sobre o que a ditadura traz: “vocês vão, daqui a nada, celebrar o aniversário da revolução dos cravos e sabem perfeitamente o que estamos a sentir”.

Pouco mais de 15 minutos de um discurso que terminou com um aplauso de todas as bancadas presentes na AR: partidos (exceção feita ao PCP) e convidados que fizeram questão de estar presentes nas galerias.