A Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa registou 290 testemunhos (validados) nos primeiros três meses da sua atuação. Destes, 16 casos, que ainda não prescreveram, foram encaminhados para o Ministério Público (MP).
Segundo a socióloga Ana Nunes de Almeida, e de acordo com os testemunhos dados à comissão, as vítimas nasceram entre 1934 e 2009 (têm entre 12 e 88 anos), e a idade em que terá acontecido o primeiro abuso situa-se entre os dois e os 17 anos. São na sua maioria homens, que possuem variados níveis de escolaridade e que vivem em todas as regiões do país, e também no estrangeiro. A maioria das situações narradas terão ocorrido há mais de 20 anos.
Ainda de acordo com a comissão, que fez hoje um balanço dos primeiros três meses de atuação, os alegados agressores são na sua maioria homens com ligações à Igreja, apesar de existirem outras denúncias contra mulheres e leigos. Segundo testemunhos, abusos aconteceram em seminários, internatos, ordens religiosas, na catequese, nos escuteiros, em colégios católicos e também em escolas públicas por professores de Educação Moral e Religiosa Católica.
“Todos os casos são analisados individualmente“, sublinhou o pedopsiquiatra Pedro Strecht, por existir risco de perpetuação do crime contra outras vítimas. Este perigo faz com que alguns casos sejam enviados para o Ministério Público.
A comissão afirma ter enviado pedidos de entrevista a todos os 21 bispos das dioceses portuguesas. No entanto, até ao momento, cinco não deram qualquer resposta ao apelo para a colaboração.
Quando questionados sobre situações de tentativas de encobrimento, Pedro Strecht assumiu que já foram identificados “indícios de ocultação”, nomeadamente entre bispos ainda no ativo.
Os membros desta Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa voltaram a frisar a dificuldade encontrada em chegar a todas as vítimas. Além de “spots” e entrevistas em jornais ou rádios locais, foram enviadas cartas personalizadas a todos os municípios do país e à exceção de câmaras como Lisboa, Porto e Funchal, o nível de respostas foi “muito baixo“, referiu Ana Nunes de Almeida.
Pedro Strecht apelou à divulgação da comissão e dos seus contactos:
telefone: +351 917110 000 – diariamente entre as 10H e as 20H
Email: geral@darvozaosilencio.org
Através de carta para: Apartado 012079, EC Picoas 1061-011 Lisboa