A XXI edição do CONTE – Festival de Teatro Ruy de Carvalho está de regresso à Póvoa de Lanhoso de 30 de janeiro a 7 de março.

A apresentação do programa do evento decorreu esta terça-feira, dia 28 de janeiro, e contou com a presença do presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Frederico Castro, acompanhado pelo presidente da Federação Portuguesa de Teatro Amador (FPTA), Valdemar Mota, e pela diretora do Departamento de Cultura da Fundação INATEL, Carla Raposeira.

Após a assinatura do protocolo entre estas três entidades, que formaliza a parceria na organização do evento, coube à vereadora da Cultura, Fátima Moreira, dar a todos as boas-vindas à “Póvoa de Lanhoso, terra de teatro e de formação no teatro, cujo resultado está à vista com a realização de mais uma edição do CONTE, mostrando o que de melhor se faz em Portugal ao nível do teatro associativo”. Paralelamente, sublinhou a ambição do Município em “alargar os horizontes do teatro que é feito na Póvoa de Lanhoso”, elogiando o trabalho desenvolvido nas oficinas de formação e os resultados dessa evolução.

O CONTE é o momento alto da programação cultural ao longo do ano e, por isso, foram também enaltecidas as parcerias, fundamentais, sólidas e duradouras, com a FPTA e com o INATEL. De acordo com a autarquia, em comunicado, perspetiva-se ainda este ano a possibilidade de alargar os horizontes do CONTE através da parceria com a Associação Internacional de Teatro Amador (AITA), a maior e mais importante associação mundial de teatro amador, o que permitirá internacionalizar este concurso.

O presidente da Câmara Municipal, Frederico Castro, começou por enaltecer o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na área da Cultura povoense, um trabalho de grande valor “da Vereadora da Cultura, Fátima Moreira, contando naturalmente com a equipa da Cultura, que demonstra grande profissionalismo e elevada qualidade ao longo dos últimos anos”. Deixou também uma palavra sobre a forte presença de jornalistas, associando-a ao facto de “o nosso Concurso Nacional de Teatro ter vindo, ao longo dos anos, a despertar um interesse crescente da população e da comunicação social, pelo impacto que tem não só na Póvoa de Lanhoso, mas em toda a região e no país”, reforçando que o evento tem uma escala nacional.

Referindo-se às parcerias, acrescentou que “temos no INATEL um parceiro muito importante, que recuperámos há alguns anos, pois revemo-nos nos vetores referidos”, transversais aos objetivos do Município, que apostam no reforço e na promoção do teatro e do seu cariz amador, engrandecendo o trabalho desenvolvido, uma vez que “estamos a falar de pessoas que, paralelamente à sua vida profissional, se dedicam ao teatro por amor e paixão”.

Carla Raposeira, em representação do INATEL, referiu, na sua intervenção, que esta parceria, que já dura há 12 anos, continua a ser muito importante para a Fundação, uma vez que toca em quatro vertentes fundamentais. A primeira prende-se com o teatro amador e o teatro em geral, bem como com a sua vertente formativa, assumida por muitas associações. Acrescentou ainda a importância da vertente do envelhecimento ativo, já que este concurso está associado a uma figura ímpar do teatro português, Ruy de Carvalho, símbolo do envelhecimento ativo em Portugal. Destacou igualmente o Prémio Prestígio, que reconhece o ator e/ou quem está por trás dos espetáculos e os torna possíveis.

O presidente da Federação Portuguesa de Teatro Amador, Valdemar Mota, interveio de seguida, fazendo um breve resumo das peças e dos grupos em competição. Enfatizou a importância da formação para os mais jovens, salientando o facto de algumas companhias desenvolverem formação para os seus atores e atrizes, oferecendo-lhes outras oportunidades de entretenimento e crescimento. Apontou ainda que este ano, com a participação extraconcurso da companhia Noite Bohemia, “teremos um fiel de comparação para percebermos o que estamos a fazer face ao que é feito lá fora, nomeadamente em Espanha”.

Este ano são 230 pessoas que trabalham nestas nove companhias”, referiu ainda, acrescentando que “a Póvoa de Lanhoso é, sem dúvida, o lugar ideal para o fazer, pois aqui sentimos o pulsar nacional do teatro amador. Fazemos muito gosto em ostentar esse estatuto e temos consciência da grande responsabilidade que isso representa, não só pelo passado, mas também pela expectativa de fazer sempre melhor a cada edição”.

Antes e no final da conferência de imprensa, os/as jornalistas presentes puderam assistir a dois excertos da peça “Os Vultos”, pelo TEM – Teatro Experimental Maria, um grupo povoense que deu os primeiros passos no ano passado.

A Casa de Bernarda Alba, apresentada pelo Grupo Cénico Povoense, será outro dos destaques da edição deste ano.

Outra novidade é a atribuição do nome de Ramos Costa ao Prémio de Melhor Encenação, perpetuando a sua ligação ao teatro e ao Concurso Nacional de Teatro Amador, sendo uma forma de agradecimento a toda a dedicação com que abraçou esta arte ao longo da sua vida.

O teatro volta a ser protagonista na Póvoa de Lanhoso, com nove companhias de teatro a concurso, provenientes dos mais variados pontos do país. Estas nove peças foram escolhidas de um total de 19 apresentadas ao júri da FPTA.

Este evento vai decorrer no Theatro Club, uma sala de espetáculos emblemática que, ao longo das últimas décadas, tem acolhido o que de melhor se faz no panorama das artes da representação amadora em Portugal.