Vieira do Minho assinalou os 52 anos do 25 de Abril com uma sessão solene marcada por discursos interventivos sobre o estado da democracia e uma forte componente cultural. O programa incluiu a participação do Tenente-General Luís Nelson Santos como convidado de honra e culminou com uma homenagem ao Mestre Adelino Ângelo, reafirmando os valores da liberdade e da identidade local no concelho.
O presidente da Assembleia Municipal, António Lobo Gonçalves, proferiu um discurso focado na preservação da memória e na educação das novas gerações. Expressando preocupação com o fato de muitos jovens verem a revolução apenas como uma data histórica distante, sem a carga emocional de quem viveu a transição para a liberdade, Gonçalves enfatizou que a democracia não é um “dado adquirido”, mas uma construção permanente que exige o combate ativo à intolerância, ao discurso de ódio e aos extremismos que ressurgem globalmente. Ao saudar os militares presentes, reforçou o dever cívico de testemunhar o passado para proteger as instituições democráticas, concluindo que honrar o legado.
Paulo Silva, em representação do PSD, sublinhou que a liberdade não é um dado adquirido, mas sim uma conquista que exige vigilância constante e coragem. Prestou homenagem aos capitães de Abril, mas não poupou críticas ao estado atual do país, apontando a persistência de desigualdades, a precariedade laboral e a necessidade urgente de combater a corrupção e a falta de ética na política, apelando a que os partidos não se tornem sistemas fechados de poder.
Seguiu-se a intervenção de Hernâni Gouveia, pelo PS, que centrou o seu discurso na esperança e nos direitos sociais. Para o orador, o 25 de Abril foi o momento em que Portugal “abriu as janelas” para um futuro de dignidade. Defendeu que o sucesso da democracia deve ser medido pela qualidade de vida real dos cidadãos, destacando medidas locais como os programas “Vieira +Saúde” e os incentivos à natalidade como exemplos práticos da aplicação dos valores de Abril no concelho. Reforçou ainda a ideia de que a liberdade exige uma participação cívica ativa para não se desvanecer.


O convidado de honra da cerimónia, Tenente-General Luís Nelson Santos, ofereceu uma perspetiva histórica e militar, recordando o ambiente de repressão e a guerra colonial que antecederam o golpe de 1974. No seu discurso, deixou um alerta incisivo contra o crescimento de modelos políticos “iliberais” e populismos que se aproveitam do medo para condicionar as liberdades individuais. Dirigindo-se especialmente aos mais jovens, exortou-os a abandonar a indiferença e a utilizar o pensamento crítico como principal arma de defesa do regime democrático.
O presidente da Câmara, Filipe de Oliveira, encerrou a sessão com um discurso incisivo, criticando o distanciamento dos partidos face aos problemas reais e a “estética da propaganda” na política. Alertou que a democracia falha enquanto houver pobreza e falta de futuro para os jovens, defendendo que o poder local deve ser o garante da justiça social e da proximidade.
A cerimónia terminou com a homenagem ao Mestre Adelino Ângelo. O artista foi agraciado com a Medalha de Honra do Município e o título de Cidadão Honorário, sendo reconhecido como uma figura ímpar da cultura vieirense, cuja obra imortaliza a identidade e a alma do povo da região, reforçando o papel da arte e da cultura como pilares fundamentais da liberdade celebrada nesta data.
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