Os vereadores do PSD da Póvoa de Lanhoso voltaram a denunciar, na reunião de Câmara de 26 de janeiro de 2026, aquilo que consideram um padrão reiterado “de falta de transparência, retenção de informação e ausência de prestação de contas” por parte do Executivo socialista, “situação que compromete seriamente o normal funcionamento democrático do órgão e o direito à informação dos munícipes“.
Em comunicado, os vereadores do PSD referem que, na dita reunião, sublinharam que existem processos estruturantes do concelho que se arrastam há meses – e nalguns casos desde o início do mandato – sem respostas, documentação ou esclarecimentos, apesar de sucessivos pedidos formais da oposição.
Acrescentam que foi atribuído especial relevo político à demora prolongada e injustificada na revisão do
plano diretor municipal (PDM), “cujo atraso já ultrapassa mais de um mandato e está a provocar prejuízos concretos aos munícipes. Esta situação gera incerteza, bloqueia decisões fundamentais e impede o acesso a apoios públicos, nomeadamente na área da habitação“. Referem como exemplo concreto o caso de uma cidadã prestes a completar 35 anos corre o risco de perder apoios governamentais à habitação devido à ausência de PDM atualizado. O PSD sublinhou que este atraso tem “consequências reais, penalizadoras e socialmente injustas”.
O comportamento do Executivo foi ainda criticado por “optar pelo silêncio perante as questões colocadas pelos vereadores PSD, demonstrando desconsideração pelos vereadores e pelos povoenses“.
Entre os processos considerados particularmente graves pelos vereadores sociais-democratas estão a ausência de ligação à rede pública de água em Sobradelo da Goma, a não identificação de responsáveis dos serviços municipais, a falta de entrega de relatórios obrigatórios e a opacidade em dossiers como a Via Circular Urbana, a BRAVAL e contratos de elevado valor financeiro, incluindo o Centro de Recolha Oficial de Animais e obras da Estratégia Local de Habitação.
Perante este cenário, os vereadores do PSD apresentaram um conjunto de exigências formais ao Executivo, reclamando a prestação de contas integral do gabinete de apoio à presidência, esclarecimentos detalhados sobre os investimentos realizados na rede viária e no saneamento, bem como os respetivos resultados e estratégia futura. Exigiram ainda respostas às denúncias relacionadas com o alvará n.º 51/2021, em Covelas, que envolve alegados danos ambientais e suspeitas de favorecimento, e esclarecimentos sobre situações laborais internas nos serviços municipais, incluindo alterações de funções e a existência de uma providência cautelar
Apesar das críticas, o PSD votou favoravelmente vários pontos da ordem do dia nas áreas da cultura, educação e apoios sociais, embora tenha deixado alertas quanto “à necessidade de critérios objetivos, regulamentos claros e maior equidade territorial“. No caso da empreitada da Loja do Cidadão, os vereadores social-democratas votaram contra, invocando “riscos de ilegalidade e falta de aprovação formal“.
Na declaração final, o PSD reafirmou que não abdicará do seu papel fiscalizador, exigindo respostas formais, documentação completa e respeito pela legalidade, sublinhando que “a transparência não é opcional e a prestação de contas é uma obrigação legal e democrática”.