Várias rádios locais em Portugal foram fortemente afetadas pela sucessão de temporais que atingiu o país este ano. As intempéries provocaram danos significativos em infraestruturas técnicas, obrigando algumas estações a suspenderem temporariamente as emissões.

Segundo a Associação Portuguesa de Radiodifusão (APR), houve registo de torres e antenas tombadas, vergadas ou totalmente destruídas, além de prejuízos em equipamentos de emissão. Em vários casos, os cortes prolongados de energia elétrica e de telecomunicações impediram as rádios de manter a atividade regular.

Algumas estações já retomaram as emissões, embora de forma condicionada, enquanto outras permanecem em silêncio devido à extensão dos danos ou à ausência de fornecimento elétrico. A APR sublinha que a existência de geradores de emergência poderia ter garantido a continuidade das transmissões em diversas situações.

A associação recorda que, em cenários de emergência, a rádio continua a ser um dos meios de comunicação mais fiáveis, funcionando através de recetores portáteis a pilhas quando falham a eletricidade, a televisão, a internet e as redes móveis. Por isso, defende que é urgente dotar as rádios locais de condições técnicas que assegurem a sua operacionalidade em contextos extremos.

A APR relembra ainda o apagão de 28 de abril de 2025, que também levou ao silenciamento de várias estações, ocasião em que já havia solicitado apoios para a aquisição de geradores de emergência, tendo em conta o papel de serviço público desempenhado pelas rádios junto das comunidades.

Face à atual situação, a associação pediu, com caráter de urgência, reuniões ao Ministro da Presidência, responsável pela tutela da Comunicação Social, ao Ministro da Administração Interna e ao Ministro Adjunto e da Coesão, com o objetivo de expor os prejuízos registados e encontrar soluções de apoio às rádios afetadas. Lembrar que, em 1999, o Estado português iniciou, em conjunto com a APR, um programa com o objetivo de comparticipar a aquisição de geradores para as Rádios locais, reconhecendo o seu papel estratégico no sistema de proteção civil. No entanto, esse processo foi interrompido no ano 2000. 

Numa nota pública, a APR deixou ainda uma mensagem de incentivo às estações atingidas pelas sucessivas tempestades, sublinhando que a recuperação da rádio local é fundamental para garantir a informação, a coesão e a segurança das populações. A associação garante que continuará a reivindicar junto das entidades competentes as medidas necessárias para que as rádios afetadas retomem as emissões em pleno, cumprindo as condições técnicas previstas nas respetivas licenças.