Mais de metade do território de Portugal corre o risco de ficar sem cobertura jornalística (rádios, jornais e site dedicados às notícias locais). A conclusão é de um estudo da Universidade da Beira Interior.
De acordo com o estudo “Desertos de Notícias Europa 2025”, coordenado pelo Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI) , esta realidade afeta, sobretudo, o interior do país, mas já está a chegar aos locais com maior densidade populacional.
Segundo o relatório, a 1 de junho de 2025, havia, em Portugal, 891 meios regionais: 399 impressos, 263 rádios e 409 digitais. No entanto, atualmente, 45 concelhos não têm qualquer órgão de comunicação local ou cobertura jornalística.
A população da região de Trás-os-Montes e os distritos de Portalegre e Beja são os casos que correm um maior risco de não ter fontes de informação confiáveis e regulares sobre a realidade do próprio concelho. E engane-se quem pensa que isto é um problema do interior do país, uma vez que a Amadora e o Montijo estão também ameaçados uma vez que contam apenas com um meio de comunicação local.
Apesar desta preocupação crescente, o número de concelhos com os chamados desertos noticiosos diminuiu face a 2022, passando de 54 para 45.
O digital assume-se como suporte dominante e em crescimento, embora com limitações na frequência e
qualidade da produção noticiosa em alguns casos.
Persistem desigualdades territoriais significativas, com concentração de meios em regiões urbanas e litoral, e fragilidade acentuada no interior.
O cenário nacional é de estabilidade, tendo existido pequenos ajustes metodológicas a influenciar os resultados.
Importa esclarecer que, para este estudo:
- ‘Deserto de Notícias‘ é o nome dado a um concelho português sem noticiário local. Rádios sem noticiário local e jornais doutrinários sem notícias locais não foram considerados. Publicações impressas e digitais sem registo na ERC também estão excluídas. Concelhos com apenas um meio de comunicação especializado também foram considerados como deserto.
- ‘Semi-deserto‘ é um termo usado para descrever um concelho português com noticiários não frequentes
ou ocasionais, por se enquadrar numa das seguintes situações: a) único meio é um jornal de periodicidade superior a quinzenal; b) único meio é uma rádio localizada no concelho, mas sem nenhum jornalista nesse território (redação localizada num concelho não limítrofe). - ‘Ameaçado‘: concelho português com um único meio que produz noticiário local regular.
- ‘Fora do deserto‘: concelho com dois ou mais meios que produzem noticiário local regular.
Cenário na zona do Ave e do Cávado
Na zona do Ave, existem 39 meios de comunicação. Mondim de Basto é um território em deserto noticioso (impresso, rádio e digital).
A nível de meios digitais, estão em deserto Cabeceiras de Basto, Póvoa de Lanhoso e Mondim de Basto.
No que diz respeito a rádios, em deserto estão Fafe, Póvoa de Lanhoso, Vizela e Mondim de Basto.
No Cávado, Terras de Bouro é um concelho em deserto noticioso (impresso, digital e rádio).
Amares, Esposende e Vila Verde estão também em deserto no que diz respeito à rádio.
Amares está ainda em semi-deserto no que diz respeito aos meios-impressos.